Windows Phone 7.5, uma alternativa ao Android?

Meses depois de sua chegada ao Brasil, será que o Windows Phone se tornou capaz de competir com o Android? Descubra a seguir.

 

O lançamento do Windows Phone 7.5 (versão oficial 7.10) deu asas a grandes expectativas. O código inteiro do sistema parecia ter sido escrito com anagramas de “promissor” e o visual da interface era um dos mais arrojados que já havia sido concebido pela Microsoft. Quando a Nokia anunciou o apoio ao novo SO, o caminho para o sucesso do Mango parecia estar cravado na pedra. Mas, apesar de todas as resenhas positivas e do suporte de duas das maiores empresas de tecnologia do mundo, o Windows Phone ainda não alcançou os sucesso comercial esperado. O sistema não é bom o suficiente ou as vendas relativamente decepcionantes são uma consequência de fatores externos? Tentaremos responder parte dessa questão nesse comparativo entre o Mango e o Android, especialmente o Ice Cream Sandwich.

Antes de comentar a ecologia de desenvolvimento de aplicativos e a interface dos sistemas, é preciso lembrar que o Mango impõe certas restrições de hardware aos fabricantes de smartphones. Ele não é projetado para rodar com eficiência sobre systems-on-a-chip com dois núcleos de CPU, por exemplo. A resolução das telas, por sua vez, está limitada a um máximo de 800 x 480 pixels. Mas o oposto também é verdadeiro: A Microsoft também exigia especificações mínimas bastante severas, como processadores que rodassem pelo menos a 1 GHz e câmeras de 5 MP.

Posteriormente parte desses requisitos foi relaxada com o anúncio do Tango, uma versão mais leve do Mango. Ainda assim, quando comparado com o Android, o Windows Phone é bem mais restritivo para os fabricantes. Enquanto o Android cobre todo o espectro de smartphones, desde aqueles aparelhos que são quase celulares simples até monstros como o Galaxy Note, o Windows Phone só pode habitar corpos bem específicos, o que, no mercado atual, se traduz em um número de vendas menor se o nome da sua empresa não é Apple.

A Microsoft tem razões muito fortes para manter tais limites de hardware. No nível mais básico, uma padronização dos componentes facilita o trabalho dos desenvolvedores, que sabem exatamente de que recursos seus aplicativos dispõem. Ao mesmo tempo, as diferenças entre o hardware exigido pelo Mango e o que é utilizado por outras marcas mais populares pode criar incongruências. Um exemplo: conforme os smartphones com chips de dois núcleos se tornam mais populares, há uma tendência de que os aplicativos se aproveitem cada vez mais desse núcleo extra com processos em paralelo, o que os afastaria de sistemas com um único núcleo. Para o Android isto não é um problema por causa da multiplicidade de plataformas que ele suporta, mas o Windows Phone 7.5 não tem tantas alternativas.

A falta de processadores com dois núcleos, telas de resolução menor e outras restrições não torna os telefones com Windows Phone necessariamente piores. A Microsoft projetou cada aspecto do sistema entorno desses recursos, o que resulta em uma experiência de uso extremamente agradável. O que resta saber é se essa estratégia será capaz de sustentar uma comunidade saudável de desenvolvedores. Uma questão um pouco mais sutil é o suporte oficial limitado do Mango a API. Por enquanto, quem programa para o Mango deve conhecer um pouco de C# e XNA. O OpenGL, tão popular com os games de celular, ficou de fora.

Boa parte dessas questões será pelo menos parcialmente respondida pelo próximo SO da Microsoft, o Windows 8 Apollo, que reestruturará tudo, incluindo o kernel. No entanto, ao que tudo indica, aparelhos com o Mango não se beneficiarão desse update, o que nos força a desconsiderá-lo neste artigo. Aliás, tal desdobramento só torna a situação do Windows Phone 7.5 mais difícil do ponto da ecologia. Segundo a Microsoft, aplicativos do Mango rodarão sem problemas no Apollo, mas não sabemos se o inverso também ocorrerá. Ironicamente, um dos argumentos contra o uso do Android é o fato de que os fabricantes muitas vezes não lançam updates do sistema para alguns modelos de smartphone. Nesse caso a Microsoft pode ser culpada da mesma falta.

No final das contas, boa parte da experiência de um smartphone se resume ao grupo de aplicativos que podemos utilizar nele. Com isto em mente, devemos nos perguntar como anda a oferta de aplicativos do Windows Phone. Comparada à do Android, ela ainda é muito pequena. O Mango sofre com um círculo vicioso: há poucos aplicativos porque há poucos telefones no mercado, há poucos telefones no mercado principalmente porque há poucos aplicativos. Desenvolvedores de grande porte, como o Google, têm escolhido ignorar o sistema por várias razões, incluindo o desejo de que a plataforma não seja bem sucedida. O aplicativo “oficial” do YouTube, por exemplo, teve que ser produzido pela própria Microsoft e ele é pouco mais do que um link para a versão mobile do site.

Existem alternativas desenvolvidas por terceiros para boa parte dos aplicativos importantes, como o DropBox e o próprio YouTube? Sim, mas a maioria delas não é tão polida quanto as versões para Android e iOS. A própria Microsoft tem se atrasado para lançar programas para o Mango. O Skype, por exemplo, foi lançado há apenas alguns dias e sob restrições severas, como a impossibilidade de receber chamadas. Assim como o Google Play, o Market Place também está repleto de aplicativos de pornografia. Fora dos mercados centrais, como EUA e Europa, há uma escassez ainda maior de aplicativos úteis. Ainda assim, a Microsoft acertou em muitos aspectos da loja de programas. Todos os aplicativos têm uma versão grátis embutida na própria interface da loja.

No que concerne os aplicativos em si, há uma série de pontos altos e baixos. Os aplicativos pré-instalados são em geral muito bons, com grande destaque para a agenda de contatos, que agrega números de telefone, e-mail e redes sociais em uma única interface sem sobrecarregar o usuário com informação. Há limitações, no entanto, especialmente se você já é um adepto fiel de serviços de outras empresas. Um exemplo é o calendário, que não importa as entradas do Google Calendar escritas fora do telefone. O Android tende a aceitar mais facilmente serviços de terceiros. Vale mencionar também que o Internet Explorer Mobile não consegue renderizar todos os elementos de algumas páginas web com perfeição.

Uma das críticas que surgiram com o lançamento do Mango é uma suposta dificuldade do sistema de lidar com multitasking. Desde então a Microsoft aprimorou muito esse ponto do telefone, mas os Androids avançados ainda detêm a dianteira. Alguns aplicativos de terceiros insistem em fechar assim que saem do primeiro plano.

Outro aspecto um pouco inconveniente é a necessidade de utilizar o Zune para mediar as interações do celular com o computador, à maneira do iTunes. O Zune tem melhorado, mas sua interface ainda é um pouco confusa quanto às opções de sincronização de arquivos. Mas esses problemas estão longe de ser uma peculiaridade do Mango. Muitos modelos de Android são acompanhados de gerenciadores de arquivo labirínticos.

Finalmente, quando o assunto é a oferta aparelhos, o Android é superior pelos motivos que apontamos acima. Vamos comparar brevemente dois modelos emblemáticos de cada sistema: o Lumia 800 e o Galaxy X.

O Nokia Lumia 800, juntamente com o resto da linha Lumia, já foi chamado de o “primeiro Windows Phone”. De fato, esse smartphone reúne parte do melhor hardware que o Windows Phone oferece aqui no Brasil (O HTC Ultimate tem uma câmera um pouco melhor e uma tela maior). O Mango roda consistentemente muito bem no seu processador Qualcomm de 1,4 GHz. A principal desvantagem do hardware é a ausência de um slot de cartão de memória para expandir a capacidade interna de 16 GB (também uma limitação do Mango). Outro ponto negativo é o uso da GPU Adreno 205, que limita a gravação de vídeo ao 720p.

O Samsung Galaxy X é um smartphone avançado que usa o Android 4.0 sem customização nenhuma, o que garante updates de sistema conforme o Google desenvolve o sistema. Além da versão mais nova do Android, esse aparelho ostenta uma tela exuberante de 4,7” com resolução de 720p. Mais ainda, o aparelho utiliza dois núcleos Cortex A9 rodando a 1,2 GHz. Em outras palavras, ele possui um hardware forte o suficiente para suportar anos de evolução dos aplicativos para Android. Apesar da configuração de primeira, a duração da bateria não foi prejudicada. Como o Lumia, seu armazenamento se resume a 16 GB de memória interna, sem slot para cartão. A câmera perde para smartphone da Nokia, pelo menos em resolução: são 5 MP.

Concluindo, o Windows Phone é ainda mais potencial do que realização, especialmente quando comparado a uma plataforma tão consolidada quanto o Android. Isto não significa que consideramos o sistema ruim, muito pelo contrário. A dificuldade e a lentidão com que o Windows Phone tem conquistado seu espaço no mercado é que são decepcionantes. Mas o fato é que, enquanto a ecologia do sistema não crescer, não podemos considerá-lo uma alternativa à altura do Android ou do iOS.

Clique nas imagens para ler o review completo

Nokia Lumia 800 – Nota 8,4

Previsto para estrear no Brasil em março, o Lumia 800 é fruto da união entre a Nokia e a Microsoft. Mesmo sem ligar o aparelho, a primeira impressão já é positiva. O Lumia 800 tem o mesmo corpo moldado em peça única de policarbonato (um tipo de plástico) de outro smartphone da Nokia, o N9. A diferença é que sua tela é um pouco menor, por causa dos botões Voltar, Início e Pesquisar, posicionados abaixo dela. Ligado, o sistema Windows Phone 7.5 Mango funciona de forma suave, com fluidez notável na transição entre menus e aplicativos. Um ponto alto é a integração das informações dos contatos e das formas de interagir com eles em mensagens e redes sociais. Outros são o pacote Office e o aplicativo da Nokia para navegação por GPS, com instruções de voz curva a curva. O Lumia 800 usa cartão microSIM e não tem saída HDMI ou leitor de cartões microSD. Mas a maior chatice é a obrigatoriedade de utilizar o software Zune no PC para transferir música, vídeo, foto e qualquer outro tipo de arquivo para o aparelho. O preço de lançamento do Lumia é 1699 reais.

Samsung Galaxy X – Nota 9,1

Galaxy X é o nome com que o Galaxy Nexus, o smartphone oficial do Google, foi rebatizadopara o mercado brasileiro. O modelo é o primeiro com Android 4, sistema que agora apresenta uma interface única para smartphones e tablets. Está mais fácil navegar pelos menus do Android e alguns recursos novos são bem interessantes. No Galaxy X, a boa impressão é reforçada pela ótima qualidade da tela de 4,7 polegadas com resolução de 720 por 1 280 pixels. Nos testes do INFOlab, a agilidade nas respostas do aparelho foi a esperada em um smartphone de topo de linha. O que superou todas as expectativas foi a autonomia. A bateria manteve o smartphone funcionando em chamada por 13 horas e 22 minutos, mais que o dobro do iPhone 4S. Na comparação com Androids poderosos que terão o sistema atualizado em breve, o Galaxy X leva desvantagem por não permitir o uso de cartão de memória e pela menor resolução da sua câmera fotográfica de 5 MP. O Galaxy X sai por 1999 reais.

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